O futuro do audiovisual profissional: menos equipamentos, mais conhecimento

Por muito tempo , o crescimento no audiovisual profissional esteve exclusivamente  associado à quantidade de equipamentos. Mais câmeras, mais mesas de corte, mais racks, mais cabos. A lógica era simples: quanto maior o setup, mais profissional parecia a produção. O visual definia tudo: câmeras grandes e equipamentos grandes sempre foram sinônimo de profissionalismo.

Este cenário tem mudado muito nos últimos anos.

Hoje não importa muito a quantidade de equipamentos, está sendo valorizado muito mais a capacidade de quem opera. O conhecimento técnico, a visão do workflow e o domínio dos processos passaram a valer muito mais do que grandes listas de hardware.

O que aconteceu? A tecnologia evoluiu.

Equipamentos evoluiram muito nos últimos anos.

  • Câmeras com sensores cada vez melhores e processamento interno cada vez mais avançado.
  • Switchers muito mais compactos apresentando recursos  que antes eram restritos apenas aos canais de TV;
  • Softwares  como o vMix vieram para substituir Racks inteiros
  • Protocolos de rede cada vez mais completos (NDI, SRT, Dante…)

A tecnologia barateou e se popularizou nos últimos anos.

Hoje em dia resultados melhores dependem muito mais do conhecimento do que propriamente do equipamento utilizado.

Hoje vemos equipamentos cada vez mais compactos e multifuncionais

  • Temos câmeras que gravam, e aplicam LUT
  • Switcheres compactos como os da Blackmagic conseguem gravar, fazer streaming,  gerar caracteres e gerenciar áudio.
  • Um computador com vMix subistitui vários equipamentos dedicados de alguns anos.

O setup literalmente diminuiu, porém a responsabilidade do operador aumentou muito.

Antes, cada função estava isolada em um equipamento específico.  Um equipamento condensa em si inúmeras funções.

O resultado disso é que necessita-se como nunca de capacitação técnica.

O perfil do profissional do audiovisual mudou

O novo profissional do audiovisual precisa entender ( e muito ) de assuntos diversos como:

  •  sinal de vídeo e áudio
  • codecs, resolução e frame rate
  • workflows
  • precisa também entender o porquê das escolhas técnicas

Embora a tendência seja a mesma — menos equipamentos e mais conhecimento — ele precisa ser tratado de maneiras ligeiramente diferentes, dependendo do tipo de cliente.

Analisamos aqui três tipos de cliente: mercado corporativo, igrejas e produtores independentes.

Mercado corporativo

No ambiente corporativo brasileiro, o foco está em eficiência e redução de riscos.

O audiovisual  para este mercado tem importância estratégica, participando da comunicação, do treinamento, dos eventos …

Nesse cenário, quando falamos em menos equipamentos pressupomos:

  • Menos pontos de falha
  • Menos dependência de fornecedores externos
  • Equipes internas mais capacitadas

O diferencial aqui não está necessariamente nos equipamentos mais caros, mais nos processos melhores definidos e nos operadores bem treinados para extrair o melhor resultado dos equipamentos.

 Igrejas

Em igrejas, os desafios costumam envolver equipes voluntárias, maior rotatividade de operadores e orçamentos mais restritos; o que exige algo diferenciado:

  • Equipamentos integrados e intuitivos
  • Workflows mais simples e fáceis de replicar
  • Principalmente o Treinamento contínuo, não apenas pontual

Quando o conhecimento é compartilhado, a produção cresce mesmo sem grandes investimentos.

Produtores independentes

Para o produtor independente, cada escolha técnica impacta diretamente no bolso, e os produtores independentes normalmente sentem mais dificuldade para investir.

Neste caso precisam de equipamentos que ofereçam mais mobilidade, mais agilidade e  principalmente que consigam ser utilizados para os mais diferentes tipos de jobs.

Neste mercado o conhecimento não é apenas diferencial, mas a própria sobrevivência do produtor independente no mercado.

 

Conclusão

O futuro do audiovisual não será decidido pelo próximo lançamento de câmera ou switcher.

Ele será definido por quem entende:

  • Como os equipamentos se conectam
  • Como o sinal se comporta
  • Como evitar falhas
  • Como adaptar soluções a diferentes realidades

Seja no corporativo, nas igrejas ou na produção independente, o caminho é o mesmo:

Equipamentos mais compactos e muito conhecimento.

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